Inteligência Artificial: a tecnologia está a evoluir. Mas o fator humano continua a ser decisivo.
Se há um tema que domina conversas em empresas, universidades, conferências e redes sociais neste momento, é a Inteligência Artificial.
Todos os dias surgem novas ferramentas, novas funcionalidades e novas previsões sobre o impacto que esta tecnologia terá no mercado de trabalho. E, inevitavelmente, surge sempre a mesma pergunta: "A Inteligência Artificial vai substituir pessoas?"
Já perdi a conta das vezes que tive esta conversa. Sempre que me fazem esta pergunta, faço sempre a analogia das caixas automáticas dos supermercados. Quando apareceram, houve quem previsse o desaparecimento das operadoras de caixa. Parecia inevitável... se a máquina conseguia fazer o trabalho sozinha, para que seria necessária uma pessoa?
A realidade revelou-se mais complexa. As operadoras não desapareceram, as lojas continuaram a precisar de pessoas. Começou a haver menos caixas tradicionais, é verdade, mas surgiram novas funções, novas responsabilidades e uma nova forma de trabalhar. Muitas profissionais passaram a apoiar clientes, supervisionar várias caixas automáticas em simultâneo ou resolver situações que a tecnologia, por si só, não consegue gerir.
A profissão não desapareceu.... Transformou-se.
E talvez seja precisamente isso que estejamos a viver agora com a Inteligência Artificial.
Ao longo da história, a tecnologia sempre alterou a forma como trabalhamos. A Revolução Industrial transformou fábricas, a internet transformou negócios, o digital transformou profissões inteiras e a Inteligência Artificial parece ser apenas o capítulo mais recente dessa evolução. A diferença é que, desta vez, a mudança não está a chegar apenas ao trabalho manual, está também a chegar a áreas associadas ao conhecimento, à criatividade, à análise e à tomada de decisão. É por isso que tantas pessoas olham para esta evolução com entusiasmo e inquietação ao mesmo tempo.
O entusiasmo nasce das oportunidades, a inquietação nasce da incerteza e ambas são legítimas.
Nas organizações, a Inteligência Artificial já está a permitir analisar informação mais rapidamente, automatizar tarefas repetitivas, apoiar decisões e aumentar a produtividade das equipas. No marketing, está a ajudar a acelerar pesquisas, gerar primeiras versões de conteúdos e identificar tendências. Nos recursos humanos, apoia processos de recrutamento e análise de competências. Na saúde, contribui para diagnósticos mais rápidos e precisos e na área financeira, permite interpretar grandes volumes de dados em minutos mas existe algo que todas estas situações têm em comum... A decisão continua a ser humana.
A Inteligência Artificial consegue processar informação mas não compreende contextos da mesma forma que uma pessoa. Consegue identificar padrões mas não substitui a experiência acumulada ao longo de anos. Gera respostas mas não assume responsabilidade pelas consequências dessas respostas, talvez por isso a questão mais importante não seja perceber quais as profissões que vão desaparecer, talvez a pergunta certa seja outra: Que competências se vão tornar mais valiosas?
Curiosamente, muitas delas são profundamente humanas: pensamento crítico, criatividade, capacidade de adaptação, EMPATIA, comunicação, colaboração, tomada de decisão. `´À medida que a tecnologia se torna mais competente nas tarefas técnicas, cresce a importância das competências que continuam a diferenciar as pessoas.
É precisamente aqui que a conversa sobre Inteligência Artificial deixa de ser uma conversa sobre tecnologia e passa a ser uma conversa sobre talento. As organizações mais bem preparadas não serão necessariamente as que adotarem mais ferramentas, serão as que conseguirem combinar tecnologia e inteligência humana de forma equilibrada.
A história das caixas automáticas ensinou-nos uma lição importante. A tecnologia raramente elimina a necessidade de pessoas, mas obriga-nos a repensar a forma como criamos valor.
Acredito que a Inteligência Artificial fará exatamente o mesmo, não será o fim do trabalho humano, será, provavelmente, o início de uma nova forma de trabalhar.
E o verdadeiro desafio não será acompanhar a evolução das máquinas, será continuar a desenvolver aquilo que as máquinas ainda não conseguem substituir: a capacidade de pensar, interpretar, criar e compreender pessoas.
Porque, no final, a vantagem competitiva poderá não estar apenas na Inteligência Artificial que utilizamos, mas sim, na inteligência humana que escolhe como a utilizar.